cover
Tocando Agora:

Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é aprovado depois de 26 anos de negociação

União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul Depois de 26 anos de negociação, a União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre com...

Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é aprovado depois de 26 anos de negociação
Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é aprovado depois de 26 anos de negociação (Foto: Reprodução)

União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul Depois de 26 anos de negociação, a União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul. É uma data histórica, porque esse pacto estratégico avança num planeta ameaçado por tarifaços, protecionismo e fragmentação. Um grande passo nesta sexta-feira (9) em Bruxelas praticamente concluiu mais de um quarto de século de negociações. De manhã, o comitê de representantes permanentes aprovou formalmente a assinatura da parceria entre a UE e o Mercosul. Era necessário o apoio de pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população europeia. Foram 21 votos a favor. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra. E a Bélgica se absteve. À tarde, o conselho da Europa formalizou por escrito o acordo. O objetivo é facilitar as trocas comerciais entre os dois blocos, que juntos representam um quarto do PIB mundial, ou seja, dos bens e serviços produzidos no planeta. Um mercado que reúne 720 milhões de consumidores, que agora verão uma redução de cerca de 90% nas tarifas alfandegárias sobre os produtos que vendem um para o outro, ao longo de quatro a quinze anos. Esse prazo pode ser ainda maior no caso de alguns produtos. Para destravar o acordo, a Europa aprovou em dezembro um mecanismo de salvaguardas, medidas para proteger os agricultores europeus da concorrência. Essa cláusula permite que a União Europeia volta a aplicar tarifas caso os produtos do Mercosul fiquem mais de 5% mais baratos que os equivalentes europeus, ou a entrada de produtos vindos do Mercosul aumente mais de 5% em três anos. A Europa poderá aplicar também restrições se os produtos do Mercosul não cumprirem as exigências sanitárias do bloco. A assinatura está prevista para o dia 17. A presidente da comissão europeia vai até Assunção, no Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul. A aprovação definitiva ainda depende de uma votação no Parlamento Europeu, e, em seguida, da ratificação por cada um dos países membros. Até lá, a União Europeia vai aplicar um acordo interino, que permite a implementação antecipada das regras de comércio e investimentos. O acordo começou a ser negociado em 1999, e o arcabouço foi finalizado 20 anos depois. Em dezembro de 2024, os dois lados comemoraram o acordo em Montevidéu. Desde então, os dois blocos discutiam detalhes para vencer a resistência de países como a França, que tentam evitar a concorrência dos produtos agrícolas principalmente do Brasil, que chegam com mais qualidade e menor custo. Nos últimos dias, a adesão da Itália foi fundamental. A primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu o acordo. Ela disse que considera suficientes as salvaguardas e os controles fitossanitários, e também o novo fundo de 45 bilhões de euros para compensar os agricultores europeus. O acordo é considerado estratégico para os dois blocos. De um lado, a Europa busca diversificar parceiros e reduzir dependências em um mundo marcado por tensões comerciais e conflitos. Do outro, o Mercosul ganha acesso a um dos maiores mercados consumidores do planeta. O acordo com o Mercosul é o maior já feito pela União Europeia. Ele surge como uma aposta econômica e política, mas também como um teste da capacidade da Europa de agir com coerência e unidade, em um mundo cada vez mais fragmentado. Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é aprovado depois de 26 anos de negociação Reprodução/TV Globo