cover
Tocando Agora:

Criminosos do RS são presos em Vitória após aplicar golpe do bilhete premiado em idosas e causar prejuízo de R$ 202 mil

Da esquerda para a direita: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37; e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos, ...

Criminosos do RS são presos em Vitória após aplicar golpe do bilhete premiado em idosas e causar prejuízo de R$ 202 mil
Criminosos do RS são presos em Vitória após aplicar golpe do bilhete premiado em idosas e causar prejuízo de R$ 202 mil (Foto: Reprodução)

Da esquerda para a direita: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37; e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos, presos no Espírito Santo suspeitos de aplicar o golpe do bilhete premiado. Divulgação/ Polícia Civil Um homem, de 36 anos, e duas mulheres, de 24 e 37 anos, foram presos no bairro Jardim da Penha, em Vitória, suspeitos de integrarem uma organização criminosa especializada no chamado golpe do bilhete premiado. Segundo a polícia, o grupo de Passo Fundo no Rio Grande do Sul atuou no Espírito Santo e causou um prejuízo de R$ 202 mil a pelo menos três vítimas de estelionato. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Os criminosos foram identificados durante as investigações e, ao retornarem ao estado para aplicar novos golpes, acabaram presos por policiais civis da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa). Ao todo, cinco pessoas fazem parte da organização criminosa. Duas delas ainda não foram identificadas. Os presos são: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37 anos; Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos. Segundo o delegado Jonathan Lana, as vítimas identificadas até o momento são moradoras do bairro Jardim da Penha, em Vitória, e da Praia da Costa, em Vila Velha. Todas são mulheres idosas. De acordo com a Polícia Civil, esse é o perfil escolhido pelos criminosos. A corporação acredita que haja outras vítimas que ainda não tiveram coragem de denunciar. “Geralmente, a vítima fica muito envergonhada de cair nesse tipo de golpe, especialmente porque são idosas”, disse o delegado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Motociclistas são flagrados fazendo manobra 'Superman' na Rodovia do Sol ÚLTIMO CASO EM JUNHO DE 2024: Vitória completa 600 dias sem feminicídios e vai na contramão do Brasil em assassinatos de mulheres "FALSO TRAFICANTE": Golpista tira R$ 37 mil de moradora dizendo que traficantes precisavam de dinheiro para expulsar rivais do bairro e subornar policiais Em novembro de 2025, após o registro dos boletins de ocorrência, a polícia iniciou as investigações, conseguiu identificar o veículo utilizado pelos suspeitos e passou a monitorar o grupo. “Eles praticavam esse golpe, mas numa série de rodízio. Ficavam alternando as equipes. Continuamos as diligências e passamos a monitorar as ações desses estelionatários. No mês de janeiro, detectamos que eles voltaram ao estado”, explicou o delegado. Os golpistas são naturais de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. O trio já havia sido preso anteriormente por outros crimes e agora vai responder por organização criminosa. As vítimas são convencidas a adquirir um suposto bilhete premiado no valor de R$ 3 milhões e acabam sofrendo prejuízo financeiro. Como funciona o golpe O delegado explicou que o golpe é dividido em etapas e começa com a abordagem da vítima. Segundo ele, uma mulher jovem, geralmente bem-apresentada, se aproxima e pergunta se a pessoa conhece algum escritório de advocacia ou advogado para indicar. Em seguida, um segundo estelionatário, entra na conversa ao fazer a mesma pergunta. A partir daí, os criminosos passam a caminhar com a vítima, envolvendo-a no diálogo. O segundo estelionatário questiona qual seria o caso, momento em que a comparsa passa a explicar a história. Ela afirma estar com um bilhete supostamente premiado, se apresenta com um nome falso e diz ser uma pessoa religiosa, vinda do interior, que não conhece a capital e teria ido ao local para tentar resolver a situação. O criminoso afirma, então, ter um amigo na Caixa Econômica Federal e diz que irá ligar para confirmar a informação e orientar a suposta ganhadora. A ligação é feita em viva-voz, na presença da vítima, e, durante a chamada, ele informa os números contidos no bilhete. O suposto funcionário do banco confirma que o bilhete estaria premiado no valor de R$ 3 milhões. Os golpistas afirmam que, como a suposta ganhadora não possui documentação, seriam necessárias duas testemunhas para que o prêmio pudesse ser resgatado. Nesse momento, o homem sugere ajudar, convidando também a vítima a participar. Segundo o delegado, os criminosos exploram o sentimento de fraternidade e solidariedade das pessoas, levando-as a acreditar que estão apenas ajudando alguém em dificuldade. A partir disso, o golpista afirma que todos podem seguir para realizar o procedimento de recebimento do suposto prêmio. Eles entram no carro do estelionatário e, já no interior do veículo, tem início a etapa principal do golpe, que consiste no convencimento da vítima. Conforme o delegado, um dos golpistas questiona a suposta ganhadora sobre sua religião, sugerindo que o recebimento do valor poderia ser imoral, por se tratar de algo semelhante a jogos de azar. Diante disso, a mulher afirma que, por motivos religiosos, não se sentiria confortável em receber o dinheiro. A suposta ganhadora sugere, então, que as vítimas fiquem com o valor do prêmio e repassem a ela apenas uma parte, alegando que precisa do dinheiro para pagar contas e dívidas. Um dos estelionatários afirma que pode adiantar um valor para “comprar” o bilhete e incentiva a participação da outra vítima. “A outra estelionatária, que é a suposta ganhadora, fala assim: ‘não, mas vocês vão receber o valor em meu nome, vocês têm que me dar uma garantia’. É aí que está o golpe”, disse o delegado. Segundo o delegado Jonathan Lana, o nível de persuasão é tão grande que, em um dos casos, a vítima não estava com o cartão bancário no momento da abordagem. Ainda assim, os estelionatários a levaram até sua residência, buscaram o cartão e seguiram até o banco, onde foi realizada a transferência do valor. A etapa final do golpe consiste na distração e evasão. Os criminosos criam novas histórias para ganhar tempo, afirmam que o dinheiro será liberado em poucos dias, mencionam supostos procedimentos com advogados e garantem que a vítima já estaria cadastrada como testemunha, prometendo que o valor seria recebido e posteriormente repassado. “Eles têm um perfil de vítima. E tem um local também, geralmente é perto de banco, são vítimas do sexo feminino e idosos. Em áreas onde pessoas geralmente têm dinheiro, que estão bem vestidas”, destacou. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo