Departamento de Justiça dos EUA investiga Netflix por supostas práticas anticompetitivas na compra da Warner, diz jornal
Netflix e Warner Bros. Reuters O Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga se a Netflix adotou práticas anticompetitivas ao propor a aquisição da...
Netflix e Warner Bros. Reuters O Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga se a Netflix adotou práticas anticompetitivas ao propor a aquisição da Warner Bros. Discovery, incluindo seus estúdios e o serviço de streaming HBO Max. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, que teve acesso a uma intimação civil relacionada ao caso. Em janeiro, a Netflix alterou os termos de sua proposta e ofereceu US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões) em dinheiro para adquirir a Warner. (leia mais abaixo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A apuração busca entender de que forma a Netflix concorre com outras plataformas e se a fusão com a Warner poderia aumentar seu poder de mercado a ponto de configurar um monopólio. Nos EUA, a legislação antitruste dá às autoridades amplos instrumentos para impedir fusões que possam reduzir a concorrência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o jornal, o Departamento de Justiça dos EUA, que analisa a possível fusão da Netflix com a Warner, enviou uma intimação a outra empresa do setor de entretenimento para obter informações sobre práticas da gigante do streaming que possam afetar a concorrência. “Descreva qualquer outra conduta exclusiva por parte da Netflix que razoavelmente pareça capaz de consolidar poder de mercado ou monopólio”, diz trecho da intimação obtida pelo Wall Street Journal. O órgão também analisa a proposta de aquisição feita pela Paramount, que foi rejeitada pela Warner após recomendação da empresa a seus acionistas. Na intimação obtida pelo jornal, o Departamento de Justiça questiona se algum dos acordos pode prejudicar a concorrência. Além disso, pede informações sobre como fusões anteriores entre estúdios ou distribuidoras afetaram a disputa por talentos criativos e solicita dados sobre as diferenças nos contratos firmados com artistas e produtores. O advogado da Netflix, Steven Sunshine, disse ao The Wall Street Journal que a empresa acredita que o Departamento de Justiça está realizando uma revisão padrão da proposta de compra dos estúdios e dos ativos de streaming da Warner. “Não recebemos nenhum aviso nem vimos qualquer outro indício de que o órgão esteja conduzindo uma investigação separada de monopolização”, afirmou. Proposta ousada da Netflix Em 20 de janeiro, a Netflix anunciou que alterou os termos de sua proposta para adquirir os estúdios e os negócios de streaming da Warner Bros. Discovery, passando a oferecer pagamento integral em dinheiro, sem mudar o valor de US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões). A nova estrutura da oferta recebeu apoio unânime do conselho da controladora da HBO. Na prática, a mudança buscou dificultar a entrada de concorrentes no negócio, especialmente da Paramount. A Netflix passou a oferecer US$ 27,75 (R$ 149,71) por ação da Warner, com pagamento integral em dinheiro. Na proposta anterior, a empresa previa o desembolso de US$ 23,25 (R$ 125,43) em dinheiro e o restante em ações da própria Netflix, avaliadas em US$ 4,50 (R$ 24,28) por papel. 👉 Com a nova estrutura, os acionistas da Warner deixariam de receber participação acionária na Netflix e passariam a receber um valor fixo por ação. Isso elimina a exposição às oscilações das ações da compradora, já que o pagamento não dependerá do desempenho desses papéis no mercado. David Zaslav, presidente e CEO da Warner Bros. Discovery, afirmou na ocasião que “o acordo de fusão aproxima ainda mais a união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”. “Ao nos unirmos à Netflix, combinaremos as histórias que a Warner Bros. contou e que cativaram a atenção do mundo por mais de um século, garantindo que o público continue a apreciá-las por muitas gerações.” No entanto, a conclusão dessa reorganização depende da efetivação da cisão da Discovery Global, da obtenção das aprovações regulatórias necessárias, do aval dos acionistas da WBD e do cumprimento de outras condições usuais para esse tipo de operação. A expectativa é que o processo seja finalizado em um prazo de seis a nove meses, antecedendo a conclusão da transação proposta entre a Netflix e a Warner Bros.