No ano do tarifaço de Trump, pedidos de falência de agricultores crescem quase 50% em 2025 nos EUA
No ano do tarifaço de Trump, pedidos de falência de agricultores crescem quase 50% em 2025 nos EUA Willam Roth/Secom-RR Os pedidos de falência de agricultore...
No ano do tarifaço de Trump, pedidos de falência de agricultores crescem quase 50% em 2025 nos EUA Willam Roth/Secom-RR Os pedidos de falência de agricultores dos Estados Unidos cresceram 46% em 2025 na comparação com 2024, apontou a associação American Farm Bureau Federation (AFBF). Ao todo, foram registrados 315 pedidos. O número pode ser maior, já que nem todos os produtores se enquadram nas regras para fazer a solicitação. Conhecida como "Capítulo 12", a regra vale apenas para agricultores e pescadores familiares. Para pedir a recuperação, é preciso comprovar que a maior parte das dívidas está ligada à atividade rural. O pedido é visto como um último recurso para que o produtor consiga continuar trabalhando. Para o AFBF, a alta nos pedidos reflete a pressão financeira enfrentada por agricultores e pecuaristas, sem perspectiva de melhora no curto prazo. "São esperadas perdas significativas no setor de grãos por mais um ano, e vários segmentos da pecuária também operam com margens mais apertadas", diz a economista Samantha Ayoub, da associação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Perdas profundas em culturas comuns das regiões do Meio-Oeste e do Sudeste se acumularam após anos de queda nas receitas e alta nos custos", disse a economista. As duas regiões são as mais afetadas. Apenas no Meio-Oeste, o crescimento dos pedidos foi de 70%, no Sudeste, de 69%. De acordo com a associação, os pedidos de falência costumam aumentar em períodos de dificuldades prolongadas. Nessas situações, os produtores recorrem a empréstimos maiores e com prazos mais longos para pagamento. Somente no quarto trimestre de 2025, foram feitos 40% a mais de empréstimos para este fim do que no mesmo período em 2024. As dívidas devem continuar crescendo. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a dívida total do setor agrícola subirá 5,2%, alcançando o recorde de US$ 624,7 bilhões em 2026. Segundo a AFBF, esse dinheiro está sendo usado para cobrir custos dos insumos e não para investir no crescimento do negócio. Leia também: Trump assina decreto para aumentar importações de carne da Argentina, diz Casa Branca Por que os agricultores estão endividados? Os agricultores são afetados por baixos preços de safra, custos mais altos de mão de obra e insumos, como fertilizantes e sementes. Além disso, as exportações de produtos, como soja, diminuíram no ano passado nos Estados Unidos, devido às disputas comerciais com outros países. Isso porque com o tarifaço agricultores americanos tiveram que pagar a conta de retaliações por parte de outros países, especialmente da China. As perdas agrícolas variam de US$35 bilhões a US$44 bilhões para as nove principais commodities, incluindo milho, soja, trigo e amendoim, disse Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, em dezembro. Os pecuaristas também foram prejudicados. O rebanho bovino dos EUA diminuiu para o seu menor tamanho desde 1951, informou o USDA. O rebanho de vacas tem diminuído continuamente desde 2019, à medida que a seca nos Estados do oeste afetou pastagens e aumentou os custos de alimentação, forçando os pecuaristas a enviar mais animais para o abate. Além disso, o fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, desde maio, a maioria das importações de gado mexicano em meio a preocupações com a disseminação para o norte da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga carnívora que infesta o gado. Para aliviar a situação dos agricultores, o governo norte-americano anunciou em dezembro um pacote de US$ 11 bilhões. A medida foi anunciada depois de produtores rurais pedirem apoio do governo para comprar sementes e fertilizantes para o próximo plantio. Saiba mais: Parlamento europeu aprova medidas para proteger agricultores do acordo com Mercosul Tomate e pão francês pesaram no custo da cesta básica nas capitais em janeiro, diz Conab O café não vai dar trégua em 2026