Ofensiva dos EUA sobre a Groenlândia desencadeia a maior crise da Otan desde a Segunda Guerra; entenda
Ameaças de Trump colocam em risco a principal aliança militar do Ocidente A ofensiva americana sobre a Groenlândia empurra a Europa para mais grave crise com...
Ameaças de Trump colocam em risco a principal aliança militar do Ocidente A ofensiva americana sobre a Groenlândia empurra a Europa para mais grave crise com os Estados Unidos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O colapso dessa relação ameaça implodir uma aliança que garantiu estabilidade para o mundo, nos últimos 80 anos. Quatorze artigos que somam pouco mais de mil palavras. Um documento curto para um desafio gigantesco. Evitar o avanço dos soviéticos para além da Europa Oriental em plena Guerra Fria; Uma época em que o mundo era dividido em dois grandes blocos liderados por Estados Unidos e União Soviética. O nome longo - Organização do Tratado do Atlântico Norte - virou a sigla OTAN. E se tornou sinônimo de proteção sob o comando dos Estados Unidos, desde 1949. Principalmente pelo o Artigo 5º. Ele afirma: um ataque armado contra um é considerado um ataque contra todos. E consequentemente, todos devem prestar apoio - incluindo com o uso de força armada. O sociólogo e comentarista da GloboNews, Demétrio Magnoli, explica como os Estados Unidos foram vitais para a criação da aliança. "É uma aliança defensiva, que restringia a União Soviética à sua esfera de influência no leste europeu e que tornava a segurança da Europa inseparável da segurança dos Estados Unidos". Esse artigo só foi acionado formalmente uma única vez - depois dos atentados de onze de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. Tropas europeias se juntaram aos americanos no Afeganistão. A OTAN começou pequena - 12 países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal, Reino Unido. E cresceu. Se estar na OTAN era sinônimo de proteção, todos queriam fazer parte – até ex-repúblicas soviéticas. A Suécia foi última a aderir, em 2024. Nesta quinta-feira (22), são 32 membros que somam 3,4 milhões soldados na ativa. Mais do que Rússia e China juntas. O orçamento anual é de cerca de R$6 bilhões de dólares. Cada país financia suas próprias forças armadas. O valor varia - vai de 2% a 4% do PIB. Mas virou tema de disputa desde o primeiro mandato de Donald Trump. É que, ao logo dos últimos 80 anos, os Estados Unidos foram os que mais colocaram dinheiro na aliança militar. Trump criticou a Otan, falou mal dos europeus e exigiu mais dinheiro de cada um sob ameaça de sair do tratado. No segundo mandato, aumentou ainda mais a pressão. A Europa e o Canadá cederam e concordaram em uniformizar o investimento em 5% do PIB até 2035. "Têm uma animosidade, uma aversão muito grande à Europa que é vista como uma adversária dos Estados Unidos e não como uma aliada dos Estados Unidos, por Donald Trump. E um desprezo absoluto pela Otan, que é vista por Donald Trump como um fardo inútil carregado pelos Estados Unidos", explica Demétrio. Agora, a OTAN enfrenta uma nova crise. A maior de todas em oito décadas de história. A insistência de Trump em obter a Groenlândia de um país aliado - até com ameaça o uso de força militar. Por enquanto, Donald Trump recuou na promessa de invasão. Mas as palavras do homem mais poderoso do mundo tem consequências de longo prazo. E estão obrigando os europeus a repensar o futuro da Otan. "Donald Trump ameaça atacar um integrante da Otan, que é a Dinamarca, para anexar a Groelândia. Ele recuou taticamente nisso, mas a ameaça permanece no ar. Essa ameaça significa o esvaziamento do núcleo da Otan. Na verdade a Otan está na UTI e talvez não consiga sair da UTI. Os europeus reduziram seus gastos militares bastante desde o fim da Guerra Fria, agora eles resolveram, diante do ataque da Rússia à Ucrânia, se rearmar. Então a Europa ruma - mas isso é um processo demorado - para se tornar autônoma do ponto de vista militar e de segurança em relação aos Estados Unidos", conclui o comentarista da Globonews.