Protestos no Irã chegam ao 13º dia, com 65 mortos e prisões em massa
No Irã, 116 já morreram e mais de 2.600 foram detidas em 14 dias de protestos Uma mesquita em chamas em Teerã marca a maior onda de protestos contra o regime...
No Irã, 116 já morreram e mais de 2.600 foram detidas em 14 dias de protestos Uma mesquita em chamas em Teerã marca a maior onda de protestos contra o regime dos aiatolás nos últimos anos. A localização foi confirmada pela agência de notícias Reuters, por imagens de arquivo e de satélite, mas a data exata da gravação não pôde ser verificada de forma independente. A imprensa estatal iraniana confirmou que uma mesquita foi incendiada na capital. Grupos internacionais de direitos humanos afirmam que pelo menos 65 pessoas morreram: 50 civis, 14 integrantes das forças de segurança e um membro do governo. Mas esses são apenas os casos identificados. Relatos de profissionais de saúde indicam que o número de mortos pode ser maior. Segundo médicos ouvidos pela imprensa internacional, hospitais em Teerã e em outras cidades receberam corpos de pessoas não identificadas, e há indícios de que vítimas tenham sido retiradas das unidades sem registro oficial. Hospitais estão sobrecarregados em diversas cidades. Protestos no Irã chegam ao 13º dia, com 65 mortos e prisões em massa Reprodução/TV Globo Mais de 2.600 manifestantes foram presos. O regime ordenou um bloqueio total da internet e das linhas de telefone, que já dura mais de 48 horas. Neste sábado (10), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a segurança do país é uma linha vermelha e que as forças armadas vão proteger bens públicos e infraestruturas estratégicas. O Exército iraniano afirmou que vai agir contra o que chamou de planos do inimigo. Tensão também aumentou fora do país O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington pode reagir se as autoridades iranianas passarem a matar manifestantes. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos apoiam o povo iraniano. França, Alemanha e Reino Unido divulgaram uma declaração conjunta condenando a repressão. Na Organização das Nações Unidas, o direito de protestar foi defendido em reunião do Conselho de Segurança. O regime clerical está no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. O que começou como um protesto contra a alta do custo de vida já se transformou em um questionamento aberto ao regime, dentro e fora do Irã. O conflito agora entra em uma nova fase, com um embate político de maior alcance, denúncias de corrupção e ameaças de pena de morte. Em discurso, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, endureceu o tom, disse que não faz sentido dialogar com o que chamou de amotinados e afirmou que não vai recuar. Os iranianos permaneceram nas ruas no país e também no exterior. Neste sábado, um homem invadiu o prédio da embaixada do Irã em Londres e trocou a atual bandeira do país por outra usada na monarquia derrubada pelos aiatolás.