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Puerto Vallarta, o paraíso mexicano em chamas após a morte de chefão do tráfico

Entenda onda de violência no México após morte de chefe de cartel Puerto Vallarta é conhecida como um paraíso turístico no México. Mas, após a onda de v...

Puerto Vallarta, o paraíso mexicano em chamas após a morte de chefão do tráfico
Puerto Vallarta, o paraíso mexicano em chamas após a morte de chefão do tráfico (Foto: Reprodução)

Entenda onda de violência no México após morte de chefe de cartel Puerto Vallarta é conhecida como um paraíso turístico no México. Mas, após a onda de violência desencadeada no domingo (22) pela morte de “El Mencho”, o balneário no Pacífico mexicano passou a lembrar uma zona de guerra. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Dezenas de veículos foram incendiados. Lojas foram vandalizadas. Moradores e turistas dizem estar em choque. “Parece que estamos em uma zona de guerra”, afirmou à AFP Javier Pérez, engenheiro de 41 anos que vive na cidade. Ele caminhava pelo estacionamento de um supermercado tomado por carros queimados. A violência foi desencadeada após a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, chefe do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). O narcotraficante, considerado um dos mais procurados do México, morreu em operação do Exército no domingo. A ação provocou uma reação criminosa em Jalisco, estado do oeste do país marcado por massacres e valas clandestinas. Na terça-feira (24), a Secretaria de Marinha informou que enviou 103 militares da infantaria e caminhonetes para reforçar a segurança em Puerto Vallarta. Até então, o balneário era visto como relativamente preservado da violência que atinge outras áreas de Jalisco. O destino atrai há anos turistas e moradores do Canadá e dos Estados Unidos, que passam o inverno na cidade. Isso mudou no domingo, quando nuvens de fumaça preta encobriram o Sol. “Não tínhamos ideia do que estava acontecendo. Vimos que um ônibus estava queimando, que um carro estava queimando e depois vimos fumaça preta por toda a cidade da nossa janela”, relata Farah Saunders, aposentada canadense de 53 anos. Segundo autoridades, integrantes do cartel de El Mancho bloquearam estradas, incendiaram veículos e atacaram postos de gasolina, comércios e bancos. Houve confrontos com forças de segurança em 20 dos 32 estados do país. O prefeito de Puerto Vallarta, Luis Ernesto Munguía, informou que mais de 200 veículos foram queimados e cerca de 40 estabelecimentos foram vandalizados. Durante os distúrbios, 23 detentos fugiram do presídio local após criminosos derrubarem o portão da unidade. O céu escurecido pela fumaça dos veículos em chamas era visível da suíte de Saunders em um luxuoso hotel na avenida principal de Puerto Vallarta. Nesta terça-feira (24), restos de um ônibus incendiado ainda estavam na rua. Lojas e centros comerciais na principal avenida permaneciam fechados, segundo a AFP. Saunders e o marido, que vieram da província de Alberta, no Canadá, deveriam retornar ao país na segunda-feira. Mas permanecem na cidade após o cancelamento de voos de companhias canadenses e americanas. “Estávamos muito assustados. Nunca passamos por algo assim no Canadá”, disse ela. Segundo a canadense, cerca de 20 mil compatriotas vivem em Puerto Vallarta. 'Zona de guerra' Vista aérea de bombeiros limpando uma rua em Puerto Vallarta, estado de Jalisco, México, em 24 de fevereiro de 2026 Alfredo Estrella/AFP A cerca de 12 quilômetros da zona hoteleira, no bairro Fluvial Vallarta, moradores circulavam pelo estacionamento de um atacadista atingido pelos ataques. Cerca de 40 veículos de clientes e fornecedores foram incendiados no local. “Infelizmente aconteceu no nosso porto, que é um lugar bonito”, afirmou Javier Pérez, morador da cidade há 16 anos. Ele questiona se o governo poderia ter alertado a população sobre o risco de ataques. Em outras áreas, comerciantes tiveram perdas totais. No bairro La Vena, uma loja de motocicletas foi consumida pelo fogo. Saíd Díaz, de 20 anos, havia comprado uma moto no local há dez dias. Agora, observa apenas os escombros. “Quando vim, fiquei maravilhado com tudo o que havia. Agora não há nada”, disse o jovem, que trabalha em uma hospedagem frequentada por estrangeiros. “Ficou uma imagem muito ruim de Vallarta. Trabalho em um condomínio e agora muitos estão indo embora”, afirmou, preocupado com o impacto da violência no turismo e no emprego. Ônibus foi incendiado em área turística de Puerto Vallarta, em 22 de fevereiro de 2026, após morte de El Mencho REUTERS/Stringer VÍDEOS: mais assistidos do g1