Santos será a 1ª cidade a usar sistema que registra violência contra a mulher no local da ocorrência
Cabine Lilás é uma das iniciativas para apoiar mulheres a formalizar queixas Pablo Jacob/Governo de São Paulo/Divulgação A cidade de Santos será a primeir...
Cabine Lilás é uma das iniciativas para apoiar mulheres a formalizar queixas Pablo Jacob/Governo de São Paulo/Divulgação A cidade de Santos será a primeira do estado de São Paulo a receber um sistema que registra casos de violência contra a mulher no local da ocorrência. O governo estadual afirmou ao g1 que os testes devem começar até o fim de março, com expectativa de expandir a iniciativa para todos os municípios paulistas nos meses seguintes. O sistema foi criado pelo governo de São Paulo com o objetivo de fortalecer o enfrentamento à violência contra a mulher, ampliar a proteção das vítimas e evitar a subnotificação de casos -- quando registros oficiais ficam abaixo da realidade. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Como irá funcionar? A iniciativa permite que os policiais militares registrem o boletim de ocorrência no local do crime e com autorização da vítima. Os agentes também poderão preencher o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), que identifica o grau de vulnerabilidade da mulher. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A formalização será feita na plataforma do Registro Integrado de Evento de Segurança Pública, onde os casos serão imediatamente compartilhados com as Delegacias de Defesa da Mulher. Desta forma, a Polícia Civil poderá dar início às investigações e solicitar medidas protetivas de urgência com mais rapidez. Por meio de nota, o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, que é coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), destacou que todo o sistema funcionará sem fazer a vítima se deslocar até uma delegacia para registrar a ocorrência. "Não estamos criando um novo procedimento para o policial. Ele continuará atendendo a ocorrência como já faz hoje. A diferença é que agora o registro já é feito ali mesmo e compartilhado com a Polícia Civil, diminuindo a chance de que a vítima deixe de formalizar a denúncia e continue exposta à violência", explicou Vilardi. Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos (SP) Gyovanna Soares/g1 Santos Integração O governo estadual acrescentou que o sistema também permite a integração de outras áreas, como saúde e assistência social. Isso possibilita que os serviços públicos identifiquem casos de maior vulnerabilidade e realizem acompanhamento ou busca ativa. "A violência doméstica exige uma resposta rápida e coordenada. Ao integrar as polícias e a rede de proteção desde o primeiro atendimento, garantimos que a mulher não fique sozinha no momento em que decide pedir ajuda", disse a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, em nota. Iniciativa Segundo o governo do estado, o sistema foi desenvolvido após o Núcleo Estratégico Interdisciplinar do programa SP Mulher -- composto de técnico científicos, representantes da Secretaria da Mulher, policiais civis e militares -- apontar que uma das maiores dificuldades era a subnotificação. Conforme relatado pelos especialistas, nos casos em que não há flagrante, grande parte das vítimas que acionavam o 190 para pedir ajuda, acabava não seguindo com o registro formal em uma delegacia. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou, em nota, que combater a violência doméstica é uma luta constante porque costuma acontecer dentro do ambiente familiar e, sem a denúncia, a polícia não consegue ter acesso. "Esse sistema é mais um passo dado para ampliar essa rede de proteção". Policiais femininas treinadas realizam atendimento especializado na Cabine Lilás, inaugurada para acolher mulheres vítimas de violência doméstica Reprodução/EPTV VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos