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São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025

São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025 Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio para um ano desde que a sér...

São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025
São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025 (Foto: Reprodução)

São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025 Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio para um ano desde que a série histórica foi iniciada, em 2018. Entre janeiro e dezembro, foram 266 ocorrências — em média uma mulher foi assassinada a cada 33 horas. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública (SSP). No ano anterior, 246 mulheres foram mortas no estado. Ou seja, em um ano, os casos de feminicídio aumentaram mais de 8%. Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva, Camila Aparecida Montoro Cruz e tantas outras mulheres foram alvo de violência cometida por ex-companheiros no ano passado. As formas de ataque foram as mais brutais e cruéis: Tainara morreu e teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um carro, Evelyn foi baleada seis vezes dentro do próprio trabalho e Camila era vítima de violência doméstica e foi atropelada em plena luz do dia. Confira os dados de feminicídio por ano no estado: 2018: 136 casos 2019: 184 casos 2020: 179 casos 2021: 140 casos 2022: 195 casos 2023: 221 casos 2024: 246 casos 2025: 266 casos Manifestantes protestam durante o velório do corpo de Tainara Souza Santos, que morreu em decorrência dos ferimentos sofridos após ser atropelada e arrastada por cerca de 1 km na Zona Norte de São Paulo. LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO A escalada de violência contra as mulheres também é verificada na capital. A cidade de São Paulo também bateu recorde histórico de feminicídios. Em 2025, foram registradas 60 mortes — contra 49 em 2024. Isto é, um aumento de mais de 22%. Veja os números de feminicídio na capital por ano: 2018: 29 casos 2019: 44 casos 2020: 40 casos 2021: 33 casos 2022: 41 casos 2023: 38 casos 2024: 49 casos 2025: 60 casos Procurada pelo g1, a SSP afirmou que "o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo, que estruturou uma política integrada e permanente para prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas". "Na Segurança Pública, os investimentos destinados às ações específicas de proteção à mulher cresceram 231,4% de 2023 a 2025, passando de R$ 3,5 milhões para R$ 11,8 milhões em comparação ao período de 2019 a 2021", informou em nota. (Leia na íntegra abaixo.) Desafios no combate à violência A violência contra a mulher é uma questão complexa, estrutural e profundamente ligada a uma sociedade patriarcal e machista, que se manifesta tanto nas relações privadas quanto nas falhas do poder público. Segundo a promotora Fabíola Sucasas, da Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os pilares do combate à violência passam pelo foco no agressor, pela proteção efetiva às mulheres, pela educação de longo prazo e pelo orçamento público, sem os quais qualquer política tende a falhar. A delegada Eugênia Villa, criadora da primeira delegacia especializada em feminicídios do Brasil, também disse ao g1 que o "freio inibidor para um potencial feminicida é a sua imediata prisão conjugada com a inserção em programas que o auxiliem a refletir sobre masculinidades e relações de poder para transformar a disputa em ética do cuidado e solidariedade". Tainara Souza Santos teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada Arquivo pessoal Especialistas apontam que o papel do Estado é central nesse cenário, porém, vem mostrando muitas falhas, como a falta de políticas públicas, a ausência de delegacias de defesa da mulher em todos os territórios, falta de monitoramento das medidas protetivas e de implementação de grupos reflexivos para homens. Pesquisadores alertam também para os limites do direito penal: a punição, sozinha, não é suficiente para mudar comportamentos nem impedir a reincidência. O enfrentamento exige educação e prevenção como eixos centrais, com a abordagem de gênero desde a escola. Como pedir ajuda? Violência contra mulher: como pedir ajuda Se uma mulher for vítima de violência, é fundamental saber que ela não está sozinha e que existem canais oficiais e gratuitos para pedir ajuda, orientação e proteção. O atendimento pode ser feito de forma sigilosa e funciona mesmo que a vítima ainda não queira registrar boletim de ocorrência. Veja abaixo onde buscar apoio: 📞 Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher Funciona 24 horas, todos os dias. Oferece orientação, acolhimento, registro de denúncias e encaminhamento para a rede de proteção mais próxima. 🚨 Ligue 190 – Polícia Militar Deve ser acionado em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo naquele momento. 🏛️ Delegacia da Mulher (DDM) Atendimento especializado para registro de boletim de ocorrência e solicitação de medidas protetivas. Onde não houver DDM, qualquer delegacia é obrigada a atender denúncias de violência doméstica. 💻 Delegacia Eletrônica (SP e outros estados) Permite registrar ocorrência online em casos de ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. ⚖️ Defensoria Pública Oferece assistência jurídica gratuita, inclusive para ações de divórcio, guarda de filhos e pedidos de proteção. 🤝 Centros de Referência da Mulher (CRAM) Oferecem acolhimento psicológico, social e orientação jurídica, com acompanhamento contínuo. O que diz a SSP "O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo, que estruturou uma política integrada e permanente para prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas. A atual gestão estabeleceu, de forma pioneira, uma política intersecretarial para garantir a segurança, a saúde e a autonomia financeira das mulheres do Estado. As ações são realizadas de forma integrada, com orçamento compartilhado entre secretarias como Segurança Pública, Saúde, Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Econômico e a Secretaria de Políticas para Mulher. Algumas ações de destaque dessa política são o Protocolo Não se Cale, App Mulher Segura, Cabine Lilás, Casas da Mulher Paulista, tornozelamento eletrônico de agressores, auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência doméstica, entre outros. Na Segurança Pública, os investimentos destinados às ações específicas de proteção à mulher cresceram 231,4% de 2023 a 2025, passando de R$ 3,5 milhões para R$ 11,8 milhões em comparação ao período de 2019 a 2021. Os recursos destinados às DDMs foram aperfeiçoados na LOA 2024, passando a englobar também o atendimento de outros públicos vulneráveis, como idosos, crianças e adolescentes. Assim, para 2026, estão inseridos em programas que somam R$ 468,3 milhões, destinados à instalação e melhoria de DDMs, Salas DDM 24h, Cabine Lilás e IML. Um dos principais avanços está no uso de tecnologia para salvar vidas. São Paulo foi pioneiro no monitoramento eletrônico de agressores, e hoje monitora com tornozeleiras eletrônicas agressores denunciados por violência doméstica, impedindo em tempo real a aproximação das vítimas. O aplicativo SP Mulher Segura, criado em 2024, que conecta mulheres em risco diretamente à polícia, 24 horas por dia. A ferramenta já conta com 45 mil usuárias ativas, 1,5 mil boletins de ocorrência registrados e 6,9 mil acionamentos do botão do pânico, com despacho imediato de viaturas via georreferenciamento. Em três anos, o Estado ampliou em 54% os espaços especializados de atendimento, somando 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 170 Salas DDM 24h, que funcionam dentro de plantões policiais e permitem registro de ocorrência e solicitação de medidas protetivas, em ambiente reservado e humanizado. Mais de 470 policiais civis passaram a atuar exclusivamente no atendimento a mulheres. Os reflexos desse fortalecimento aparecem nos registros: houve aumento de 21% nas medidas protetivas e de 11% nos boletins de ocorrência nas DDMs em 2025, indicadores que refletem maior confiança das vítimas em denunciar e acessar a rede de proteção. Além das ações de resposta imediata, o Estado ampliou de forma estruturante a rede de proteção às mulheres, com Casas da Mulher Paulista — 20 unidades já inauguradas e 16 em construção —, o auxílio-aluguel, que já beneficiou cerca de 4 mil mulheres em 582 municípios. Iniciativas de prevenção e conscientização, como o Protocolo Não se Cale, já capacitaram mais de 135 mil profissionais, ampliando a capacidade de identificação, acolhimento e encaminhamento de vítimas em todo o estado."