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Toyota Yaris Cross: como anda o carro híbrido pleno flex mais barato do Brasil? Vale a pena?

Toyota Yaris Cross é híbrido pleno flex mais barato do Brasil. O g1 finalmente pode conduzir o principal lançamento da Toyota em 2026. O Yaris Cross é a gra...

Toyota Yaris Cross: como anda o carro híbrido pleno flex mais barato do Brasil? Vale a pena?
Toyota Yaris Cross: como anda o carro híbrido pleno flex mais barato do Brasil? Vale a pena? (Foto: Reprodução)

Toyota Yaris Cross é híbrido pleno flex mais barato do Brasil. O g1 finalmente pode conduzir o principal lançamento da Toyota em 2026. O Yaris Cross é a grande aposta da marca, que entra na disputa em uma das categorias mais vendidas do mercado brasileiro e oferece versões híbridas pelo preço mais convidativo possível. A palavra "convidativo" foi usada de propósito, pois não se pode chamar o Yaris Cross híbrido de barato. As versões custam R$ 172.390 ou R$ 189.990. Ainda assim, é o híbrido pleno flex mais barato do Brasil, e uma das principais opções para quem pretende entrar no universo dos eletrificados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Também é o SUV mais barato da Toyota. O Corolla Cross, de porte maior, parte de R$ 190.490 na versão a combustão e começa em R$ 219.890 na versão híbrida. Entre os híbridos, seu concorrente mais próximo é o chinês Omoda 5. Preço e porte são semelhantes. O Yaris aposta no renome da Toyota e no motor flex. Já o Omoda entrega mais que o dobro da potência, mas funciona apenas com gasolina. 🤔 Mas fica a pergunta: o preço mais alto será suficiente para convencer o consumidor a deixar modelos consagradíssimos a combustão — como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Honda HR-V — e apostar no Yaris Cross híbrido? Galerias Relacionadas O teste realizado pela Toyota, no autódromo de Indaiatuba (SP), não permite avaliar da forma mais adequada o ponto mais crucial do Yaris Cross: o consumo. A marca promete que o SUV chega a até 17,9 km/l com gasolina na cidade. Seria possível, portanto, rodar 644 quilômetros com um único tanque. O número é bastante superior a qualquer concorrente, mesmo o Omoda 5, que faz cerca de 15 km/l. Na pista, obstáculos foram posicionados para simular situações do uso urbano, como desvios em zigue-zague no trânsito e a baliza paralela à calçada. Mas, só nas situações de trânsito real — inclusive com os congestionamentos das grandes cidades — será possível ver a performance do sistema. O Yaris Cross tem três modos de condução: ECO, Normal e Power. Foi possível alterar para o mais econômico durante o teste e perceber que a eletrificação entrou mais em jogo, inclusive nas frenagens simuladas. Nessa situação, o computador de bordo se aproximou dos 17 km/l prometidos. Potência reduzida Toyota Yaris Cross Divulgação | Toyota O benefício da economia de combustível tem um custo: a opção híbrida conta com um motor mais fraco do que a versão a combustão do próprio Yaris Cross. O modelo leva um bloco 1.5 a combustão com dois motores elétricos, que geram apenas 111 cv de potência combinada. O motor a combustão oferece 12,3 kgfm de torque, enquanto o elétrico entrega 14,4 kgfm. Como os valores não se somam, a marca não especifica um valor combinado. Estes números são inferiores ao que conseguem SUVs de porte menor que o Yaris Cross, mas que têm motores turbo. É o caso de versões mais completas de Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera. No autódromo, as retas mais longas permitem acelerar com o pé embaixo. Ainda que a proposta não seja de um esportivo, a resposta do Yaris Cross nunca foi empolgante. Por outro lado, o motor elétrico ajuda a compensar a potência mais baixa com torque imediato em algumas situações. O torque disponível logo nas primeiras rotações ajuda bastante nas arrancadas. Não foi percebido impacto da potência reduzida ao sair dos boxes, ponto inicial do teste. Traduzindo para o uso urbano: o Yaris Cross certamente chegará a responder melhor que um Fiat Pulse com motor turbo ao sair do semáforo ou da garagem. A Toyota afirma que o sistema híbrido é praticamente o mesmo usado no Corolla, tanto na carroceria sedã quanto na SUV. Com esse conjunto, o motor elétrico atua principalmente nas arrancadas e passa a ajudar pouco o motor a combustão em velocidades mais altas. Aqui, estamos falando de ritmos acima dos 40 km/h. Isso ficou claro na pista, onde predominam retomadas e quase não há arrancadas. Sempre que uma curva fazia o Yaris Cross reduzir de 100 km/h para cerca de 40 km/h, a volta da aceleração contava com pouca ajuda do motor elétrico e levava mais tempo para recompor o vigor. Fluxo de energia do Toyota Yaris Cross Hybrid divulgação/Toyota A dinâmica dos motores podia ser vista na central multimídia, que indica o fluxo de energia e mostra quando o motor a combustão atua sozinho, quando o elétrico entra em ação ou quando ambos trabalham em conjunto. Isso quer dizer que o Yaris Cross híbrido tem motor ruim? Não. O que muda é a necessidade de mais cautela em situações como uma ultrapassagem na estrada — algo que não se manifesta nas saídas de semáforo. Ainda assim, tudo isso tende a perder importância quando o consumo de 17,9 km/l aparece no painel de instrumentos. A economia gerada com acelerações menos vigorosas faz o carro gastar menos combustível. No fim das contas, economizar combustível é mais importante do que acelerar mais — para a proposta do Yaris Cross e de quem busca esse carro. Se você prefere acelerações mais empolgantes, existem opções melhores no mercado, mas nenhuma delas é híbrida plena dentro da mesma faixa de preço. Exemplos são: Volkswagen T-Cross 200 TSI: 128 cv e 20,4 kgfm Volkswagen Nivus 200 TSI: 128 cv e 20,4 kgfm Honda WR-V: 126 cv e 15,8 kgfm Honda HR-V: 177 cv e 24,5 kgfm Peugeot 2008: 130 cv e 20,4 kgfm Nissan Kicks: 125 cv e 22,4 kgfm Caoa Chery Tiggo 5X Pro Hybrid Max Drive: 150 cv e 21,4 kgfm Isso posto, é nesse quesito que a comparação com o Omoda 5 pode pesar para quem busca um acelerador mais apimentado em um carro híbrido pleno. O chinês tem 224 cv de potência por preço R$ 12,4 mil mais baixo: R$ 159.990. Por ser uma marca nova, a montadora tem um trabalho inglório de se mostrar tão confiável quanto um Toyota. Se a potência não foi o destaque, o Yaris Cross compensou ao cumprir bem seu papel em outros aspectos. O principal deles é a estabilidade, com um conjunto de suspensão que agradou. Em um trecho do autódromo, havia obstáculos que exigiam curvas mais fechadas. Mesmo em velocidades suficientes para fazer os pneus cantarem, a cabine permaneceu estável — algo sempre relevante em um SUV. Toyota Yaris Cross chega para rivalizar com T-Cross, Creta e HR-V Por dentro, o Yaris Cross é sóbrio demais Toyota Yaris Cross Divulgação | Toyota O Yaris Cross entrega exatamente o que se espera de um SUV compacto mais simples. No acabamento, há bastante plástico rígido e pouca variação de texturas ou cores. O visual é sóbrio, com predominância do preto. Se não há grandes destaques visuais ou de conforto, o teto solar panorâmico da versão topo de linha surge como um forte atrativo. Ele é grande o bastante para que os ocupantes do banco traseiro também aproveitem a vista do céu, mas vale saber que se trata apenas de um painel fixo de vidro. Não há abertura para entrada de ar, apenas passagem de luz — ainda assim, está entre os maiores da categoria. Com 4,31 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,65 m de altura e 2,62 m de entre-eixos, o Yaris Cross tem medidas alinhadas às dos principais concorrentes. Esse porte garante bom espaço interno, especialmente para quem vai no banco traseiro, e reforça sua vocação familiar. Vale a pena o comprador conferir com atenção o porta-malas. Na versão híbrida, apesar do acionamento elétrico, são 391 litros, volume inferior ao de alguns rivais diretos, como Creta e WR-V. O espaço é 9 litros menor do que na versão a combustão, e o motivo é a bateria, cujo módulo de alta tensão ocupa parte da área. Não chega a ser um ponto negativo grave, mas, como mencionado acima, Hyundai Creta (422 litros), Nissan Kicks (470 litros) e Honda WR-V (458 litros) oferecem porta-malas maiores. Toyota Yaris Cross Divulgação | Toyota Dada a partida, o motorista passa a contar com um painel digital de sete polegadas, que substitui os mostradores analógicos. Ele não é tão completo nem tão personalizável quanto o do Corolla, mas transmite sensação de modernidade e segue a lógica de fazer o básico bem feito, sem grandes pretensões. A central multimídia, por sua vez, se destaca e chama atenção, seja pela posição mais elevada no painel, seja pela tela de 10 polegadas, a mesma usada em modelos mais caros, como o Corolla. Além disso, a central adota uma solução importante ao rodar sobre Android. Todas as transições de tela contam com animações, um cuidado ainda pouco comum no setor automotivo. Até a exibição do número da estação de rádio em destaque foge do padrão. Há bom uso de cores, fontes bem desenhadas e atenção evidente ao design da interface. A Toyota, porém, fez alterações profundas no sistema Android, o que impede a instalação de aplicativos como o Waze ou Google Maps. Em compensação, a interface é moderna e funciona sem travamentos durante o uso. Para o motorista, há câmera com visão de 360 graus, alerta de ponto cego, farol alto automático e auxílios como frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo e sistema de centralização de faixa. Já para os demais ocupantes, o Yaris Cross oferece conexão Wi-Fi, capaz de atender até 10 dispositivos, como celulares, tablets, notebooks ou outros aparelhos. Toda essa modernidade perde força diante de um detalhe curioso: mesmo na versão mais cara, que aproxima o Yaris Cross dos R$ 200 mil, ele não conta com ajustes elétricos dos bancos. Toyota Yaris Cross Divulgação | Toyota Toyota Yaris Cross híbrido: vale a pena? O Yaris Cross chama atenção por ser um SUV compacto e, ainda assim, oferecer bom espaço para as pernas de quem vai no banco traseiro. O consumo de 17,9 km/l também é um atrativo relevante, especialmente por se tratar de um modelo eletrificado que recarrega a própria bateria, sem a necessidade de ser plugado na tomada. O apelo familiar é reforçado pelo Wi-Fi para até dez dispositivos ao mesmo tempo, o que ajuda em viagens mais longas. Ainda assim, é importante considerar que a potência do SUV exige mais cautela em ultrapassagens na estrada e que o porta-malas pode ficar limitado quando há muitas bagagens. Ao olhar para o Yaris Cross como um carro de uso urbano, ele faz bastante sentido e estes pontos negativos são muito reduzidos. Seu principal rival, tanto na cidade quanto na estrada, dentro do universo dos híbridos plenos, é o Omoda 5. O modelo chinês é R$ 5 mil mais barato na versão topo de linha e entrega quase o dobro da potência, além de mais conforto interno e telas maiores. Em contrapartida, é menos econômico e aceita apenas gasolina, enquanto o Yaris Cross é flex. Toyota Yaris Cross chega com medidas semelhantes às dos rivais Divulgação | Toyota