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Trump amplia importação de carne argentina em 80 mil toneladas para tentar frear preços nos EUA

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Trump amplia importação de carne argentina em 80 mil toneladas para tentar frear preços nos EUA
Trump amplia importação de carne argentina em 80 mil toneladas para tentar frear preços nos EUA (Foto: Reprodução)

Preço da carne em um supermercado em Los Angeles, em 27 de maio de 2022. Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) um decreto para elevar temporariamente as importações de carne bovina argentina com tarifas reduzidas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O texto determina um aumento de 80 mil toneladas métricas na cota de importação do produto em 2026. A medida vale apenas para aparas magras de carne bovina especificamente do país sul-americano. 🥩 As aparas magras são retalhos menores de carne com baixo teor de gordura. Os pedaços geralmente sobram do processo de desossa e corte de peças maiores do boi. A nova decisão, que tem o objetivo de baratear o alimento, e ocorre em meio às críticas ao governo Trump pelo avanço do custo de vida, tema que ajudou a impulsionar vitórias eleitorais de candidatos democratas em 2025. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços da carne bovina atingiram níveis recordes nos EUA no ano passado, impulsionados pela forte demanda e pela queda na oferta de gado. O cenário beneficiou os pecuaristas — que em grande parte apoiaram Trump — mas aumentou a pressão sobre os consumidores. "Como Presidente dos EUA, tenho a responsabilidade de garantir que trabalhadores americanos consigam alimentar a si e suas famílias", disse Trump em seu decreto. Segundo o republicano, a medida foi tomada após conversas com o secretário de Agricultura americano e tem o objetivo de aumentar a oferta de carne moída para os consumidores dos EUA. Economistas ouvidos pela agência Reuters, porém, afirmam que o aumento das importações do produto argentino deve ser incapaz de reduzir de forma significativa os custos aos americanos. Quem tende a se beneficiar, na verdade, são as empresas de alimentos. Enquanto isso, os representantes do setor pecuário — que já haviam se manifestado contrários a decisões semelhantes — criticaram a medida. “Em vez de importações que prejudicam pecuaristas americanos, deveríamos focar em soluções que reduzam a burocracia, diminuam custos de produção e apoiem a expansão do nosso rebanho”, disse a senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, um importante estado produtor de gado. Ao todo, os EUA importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina em 2024, o que representou 2% das importações totais, segundo dados do governo. Acordo comercial e exploração de minerais críticos Na quinta-feira (5), os EUA e a Argentina assinaram um acordo comercial com previsão de redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos. O entendimento também abrange materiais críticos, em linha com a estratégia de Trump de reduzir a dependência da China — hoje dominante na produção e no refino desses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa. Segundo o texto, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina — da exploração ao refino, processamento e exportação. O embaixador norte-americano e negociador comercial Jamieson Greer anunciou o acordo após reunião com o ministro das Relações Exteriores, do Comércio Internacional e do Culto da Argentina, Pablo Quirno. “O aprofundamento da parceria entre o presidente Trump e o presidente Milei serve como um modelo de como os países das Américas, do Alasca à Terra do Fogo, podem avançar em nossas ambições compartilhadas e proteger nossa segurança econômica e nacional”, afirmou Greer. Ainda segundo o representante comercial americano, o acordo "reduz barreiras comerciais de longa data e oferece acesso significativo ao mercado para exportadores" dos EUA. A expectativa, acrescentou, é expandir negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas. O documento divulgado pelo governo dos EUA indica que o acordo não entra em vigor no momento da assinatura. Ele passa a valer 60 dias após a troca de notificações por escrito confirmando a conclusão dos trâmites legais internos — ou em outra data que os países acordarem. Após passar a valer, o acordo prevê que a Argentina zere tarifas ou as reduza para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens. A abertura comercial também prevê o fim da taxa estatística argentina — uma cobrança sobre importações para custear serviços aduaneiros — em até três anos. As reduções tarifárias serão graduais, aplicadas todos os anos em 1º de janeiro. Em nota oficial, o governo de Javier Milei comemorou o acordo e afirmou que o texto consolida uma “relação estratégica” entre os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e “em uma visão moderna da complementaridade comercial”. "A assinatura deste acordo, alcançada graças à visão de abertura e de integração regional do Presidente Javier G. Milei, e à sua excelente relação com o Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, é mais um pilar que permite que hoje a Argentina volte a ser parte do mundo ocidental", diz o comunicado. Outros investimentos Além dos minerais críticos, o Acordo entre os Estados Unidos e a República Argentina sobre Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) amplia o acesso de investimentos americanos a outros setores estratégicos da economia argentina. Entre eles: Energia: com facilitação de aportes em toda a cadeia, da exploração e produção ao refino, transporte e geração elétrica, com foco em segurança energética e industrialização. Infraestrutura: com investimentos em telecomunicações, transporte e logística, incluindo construção naval e navegação. Tecnologia e comunicações: com abertura para aportes em infraestrutura de informação e comunicação, como redes 5G e 6G, satélites e cabos submarinos. Bens de capital: com facilitação da entrada de máquinas e equipamentos, inclusive usados e remanufaturados, para construção, agricultura, mineração e saúde. Defesa: com simplificação e ampliação do comércio e da cooperação industrial no setor. Financiamento: com possibilidade de apoio de agências dos EUA, como EXIM Bank e DFC, em parceria com o setor privado. Conversas com o Brasil A Reuters revelou que o Brasil participou de uma reunião nos EUA, na quarta-feira (4), na qual o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial de minerais críticos. O governo brasileiro ainda avalia se irá integrar o grupo, apurou a agência. O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente no encontro por meio da Embaixada em Washington, mas não informou se o país poderá aderir à iniciativa nem como se daria uma eventual participação. Uma fonte do governo brasileiro afirmou à agência que o país está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado. Segundo essa fonte, pela dimensão do tema, a questão precisa ser tratada de forma bilateral, e uma decisão não será tomada rapidamente.